segunda-feira, 16 de outubro de 2023

CIPA - Tabela

 Cipa Tabela



https://docs.google.com/spreadsheets/d/1GR9RJY2VFo5ErY-XWs9mPWiVeH9Sfd5K/edit?usp=sharing&ouid=111355070077885612535&rtpof=true&sd=true

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Trabalho em espaço confinado -risco e morte !



Tradução do video -
0:00

Este video ilustra alguns dos riscos à saúde e segurança dos espaços confinados-operações em  locais abaixo da superfície. A intenção do video é sua utilizaçãojunto aos programas de treinamento para a área.

Relato comum de trabalhadores ao serem questionados sobre os riscos do seu trabalho no espaço confinado:
0:23
"Acidentes em espaços confinados? Talvez se você trabalhe em uma mina ou algo assim...o trabalho que eu faço é simples..."

"Você ouve sobre inundações subterrâneas, escapamento de gases...nunca vi ninguém se machucar..."

"Somos bem treinados.Sabemos reconhecer problemas se eles aparecerem."

"Trabalho nesta indústria há vinte anos.Não lembro de nada ou nenhum problema sério neste tempo todo.Somos rápido o suficiente para resolver qualquer tipo de problema".

1:27
Fala o especialista: "Estas pessoas obviamente fazem o seu trabalho muito bem. Mas suas respostas quanto aos perigos do trabalho em espaço confinado ignoram a realidade dos potenciais riscos mortais  existentes. Incidentes nestes locais (fatalidades ou ferimentos) são incrivelmente parecidos (similares)."

1:45
Após alguns exemplos de acidentes ocorridos nos EUA, o especialista resume " ...a morte em espaços
confinados acontecem sem dor, silenciosamente e sem nenhum aviso que possa dar alguma chance".

2:54
"Por que estes espaços são tão perigosos?"

3:00
Outro especialista na área que trabalha há 10 anos diz que os empregadores e os próprios trabalhadores não conseguem entender o perigo que há nestes locais."Se você não entende o perigo, você não toma as precauções necessárias para proteger-se dele".

"Espaços confinados existem de todos os tamanhos e diferentes extensões, mas os riscos são sempre os mesmos."

3:23
Uma ilustração inicia informando como nosso ar respirável  é formado : (abaixo a informação mais completa)

                 CONSTITUINTE                     VOLUME (%)

                  nitrogênio                                       78,08
                  oxigênio                                          20,95
                  argônio                                             0,93
                 dióxido de carbono                       0,03
                 outros                                                 0,01

Alguns gases presentes nos espaços confinados podem "empurrar" a composição acima e reduzir gradativamente o volume de oxigênio necessário. 
Operações como  no exemplo da ilustração, de uso de acetileno ou calor podem reduzir o  nível de oxigênio drasticamente.
A redução  de 20% para 16 % de oxigênio causará aceleração dos batimentos cardíacos e da respiração, dificuldade em raciocinar (fazer julgamentos) e perda da coordenação.

Reduzindo-se para 10% ou menos (6%) de oxigênio, será experimentado náuseas, vômitos, perda de consciência seguido de morte !

"Deficiências de oxigênio são particularmente perigosas porque provocam sonolência e embriaguez  que tiram do trabalhador o sentido de prevenção a tempo de poder escapar"
(são sensações agradáveis - não incomodam, pelo contrário...).

Monóxido de carbono e sulfeto de hidrogênio tem várias maneiras de infiltrar-se nos espaços confinados.
Vazamentos, despejo voluntário ou não,infiltrações diversas...

O monóxido de carbono não tem cheiro nem cor.É produzido pela queima incompleta de combustíveis de  motores a gasolina, queima de madeira, gás natural  ou materiais como  propano (presente nos botijões de gás das empilhadeiras) e podem ser letais na proporção de 1% ou menos !

O Sulfeto de hidrogênio é invisível e tem odor de ovo podre. Em altas concentrações talvez não seja possível sentir este cheiro característico. Morte acontece em segundos pela exposição ao Sulfeto de Hidrogênio.

Há tantas e variadas maneiras de gases infiltrarem-se num espaço confinado que somente testando-se a atmosfera do local, se pode ter a certeza que não há risco.

Muitos gases podem estar presentes em espaços confinados. 

O metano é extremamente inflamável. Uma simples faísca pode provocar a destruição de todo o ambiente ao seu redor (vide postagem no blog -  http://trabalhoacidentezero.blogspot.com.br/2011/06/gas-metano-acumulo-no-subsolo-e.html ) e na superfície. 

Podem haver gases remanescentes de soldas, pinturas, etc. O risco é o acúmulo que pode causar os danos irreversíveis aos trabalhadores.
8:28
O médico diz que em seus atendimentos destes casos : " os trabalhadores com sorte o suficiente para sobreviver contam que  estão bem num minuto e no outro perderam a consciência."  

" O corpo humano é como uma esponja - esponja para gases " -  não importa o quanto você é forte ou possa reter a respiração...tentar usar o telefone celular ou rádio...esqueça. Planejar como irá chamar pelo resgate não funciona!

8:53
Como então prevenir os acidentes destes trabalhos? 
Desenvolver procedimentos padrões e providenciar treinamento e educação para os trabalhadores.

9:14
Os procedimentos básicos para o Espaço Confinado -
1- Antes de entrar na área confinada, assegure-se que o entorno está livre de riscos.

2- Teste a atmosfera antes de penetrar no local. É essencial que você faça o teste em diversos níveis dentro do local a ser visitado.
    O primeiro teste é relativo ao nível de oxigênio - pode haver deficiência em qualquer um dos níveis.
    O sulfeto de hidrogênio é mais pesado que o ar.
    O metano é mais leve que o ar e também é um gás explosivo.
    O monóxido de carbono não é mais pesado nem mais leve que o ar, portanto poderá estar em qualquer nível do espaço confinado. É um asfixiante que expulsa o ar e provoca sufocação. 

Tenha certeza que os testes sejam feitos por um trabalhador treinado (monitor de espaço confinado). Os registros devem ser anotados em formulário adequado.

3-Se os níveis medidos forem considerados inseguros, será necessário ventilar o local

Testar novamente será necessário e obrigatório.
 Nunca usar a bomba de ventilação para puxar o ar (vácuo) dos espaços confinados, pois certamente irá  colocar (puxar) gases contidos na superfície das paredes do local.
O ventilador deve sempre mandar ar fresco para o local !  O procedimento realizado desta forma mandará ar respirável para o local e irá prevenir a ocorrência de aumento da proporção de algum gás presente na área.

4- Assegurar que um vigia capacitado fique na entrada do espaço, munido de rádio e com possibilidade de  comunicação com os trabalhadores. Garantir que haja resgate em caso de emergência  utilizando os procedimentos de emergência corretos para o resgate.  Pessoas habilitadas, autorizadas e credenciadas devem autorizar a entrada!

5- Dependendo do risco do trabalho a ser feito e da natureza  do trabalho, equipamentos e procedimentos mais sofisticados devem ser utilizados.  No exemplo uma linha de vida presa no cinto de segurança e um monitor de gases . Há também situações onde o trabalhador deve utilizar equipamento de respiração individual (ar próprio - cilindro).

mensagem final:
"Os espaços confinados são encontrados em todos os tipos de trabalho. Os riscos nunca são óbvios.
Preparação e testes são a única defesa contra este "assassino potencial". 

O perigo é real !

  Seguindo os procedimentos estabelecidos a maioria dos acidentes em espaço confinados podem ser evitados".








 

video -tradução :

São demonstradas 3 chaves fundamentais neste tipo de trabalho:
- Monitoramento da atmosfera.
- Ventilação efetiva.
- Uso correto dos dutos.


Começamos com um "vaso purificador" - todo o risco atmosférico foi removido.
Definição de área ou espaço confinado.
A maioria dos espaços confinados requerem o uso de ventilação forçada.
A atmosfera poderá ser altamente inflamável ou tóxica.
VOCs -Volatile Organic Chemichals
H2S    - Hydrogen Sulfide
SO²     - Sulpher DiOxyde
NOx    - Oxido de Nitrogênio
acrescento:
metano -CH4
propano - C3H8


Importante: não confie em seus sentidos para detectar estes riscos. Eles não são detectores adequados.
Um equipamento portátil pode ser utilizado para testar o ar atmosférico.

Teste a atmosfera em 3 níveis:
-teste o topo;
-teste o meio;
-teste o fundo.
Atenção : Atmosferas contaminadas frequentemente são mais leves ou mais pesadas que o ar.Isto causa a estratificação que significa que no topo do vaso ou do local a ser verificado pode estar livre de contaminantes e no fundo pode estar contaminado.

Ventiladores axiais são a melhor escolha para mandar ar limpo (positive displacement) para espaço confinado. Sempre deve-se ter certeza que tal equipamento esteja corretamente instalado e firmemente apoiado no solo.
Uma permissão de entrada é requisito básico para o início dos trabalhos.

Quando um trabalhador está dentro do espaço confinado, outro (vigia) deve estar à postos e em linha direta
de visão assegurando o estado de saúde e condições do seu colega.

Neste exemplo suponha que o vaso tenha 10 pés (3,048 mt ) de altura e 40 pés (12,48 mt ) de comprimento.

O objetivo será mandar ar fresco para dentro desta área, eliminando qualquer substância nociva no ar respirável.

Então : se o espaço é de 10 pés de diâmetro x 40 pés de comprimento =
usa-se a fórmula ( ¶   x r² x comprimento )

 Lembrando que Pi = 3,1416

r²= raio ao quadrado (raio é meia circunferência)

e que  diâmetro é a menor distância interna passando pelo centro da circunferência.

Então:utilizando pés (medida utilizada no video ) temos:

3,1416  x  5²  x 40 = 3.140 pés cúbicos de espaço ou 88,915 de volume(convertido para nosso uso métrico).

O ventilador  calculado para enviar (por exemplo) 1.875pés cúbicos por minuto(53,094m³ por minuto).

Então para sabermos quanto tempo ele deverá mandar ar fresco para dentro do vaso, dividimos     3.140 pela taxa do aparelho ventilador que no caso é 1.875 (em pés )

                                           3.140  :  1875  =   1,67 minutos

ou utilizando nosso sistema métrico : 88,915  :  53,094   = 1,67 minutos


Esta é a medida para ventilar o espaço.Uma estimativa na verdade.Sempre devemos assumir que poderá levar mais tempo para limpar o espaço.O ideal é enviar constantemente ar fresco para o interior do vaso.Dutos corretos irão garantir o suprimento correto de ar. Dutos curtos demais não irão garantir que todo o espaço receba o ar fresco e que haja expulsão de gases nocivos.No exemplo um duto mais longo garantirá que o ar chegue mais ao fundo, mas fique atento para a circulação do ar e gases.Aberturas adicionais se existentes garantem mais circulação e expulsão de gases.É a melhor opçãode segurança.Mesmo se for pequena,garante a circulação.
Se o trabalho criar fumaça(metálica ou não) , neste caso aspirá-la para fora é mais eficiente do que mandar ar limpo de fora para dentro.
               observação: volume em um corredor no subsolo é calculado de outra maneira: lembre-se que
                            área = a.b quando trata-se de um quadrado

                            volume é 3D ou m³  
                            a.b.c - vide expansão da postagem para cálculo de volumes.

Unidade métrica de volume, utilizada em concentrações para expressar um produto químico num volume de ar. 
Um metro cúbico equivale a 35,3 pés cúbicos ou 1,3 jardas cúbicas. 
Um metro cúbico equivale também a 1000 litros ou a um milhão de centímetros cúbicos.

sábado, 17 de maio de 2014

Ergonomia - estudo e link para especialista na área

Matéria do "Ergo Informativo" n° 79 -2010 da ERGO - Assessoria e Consultoria em Saúde Ocupacional -
www.ergoltda.com.br


 Dez fatos e mitos quanto ao risco ergonômico - Hudson de Araújo Couto*


       A definição quanto à existência ou não de risco ergonômico é um dos pontos mais atuais e importantes da prática da Medicina do Trabalho e da Ergonomia. Isso porque, em tempos de nexo técnico presumido, para a grande maioria das empresas é previsto que a grande parte das doenças e lesões do sistema músculo-esquelético será automaticamente considerada como causada pelo trabalho; e os afastamentos dessa natureza representam nada menso que 60% a 70% de todas as ocorrências que tiram o trabalhador de sua atividade por mais de 15 dias. Assim, diante de um caso de um trabalhador afastado por transtorno musculoligamentar, a equipe de medicina do trabalho terá sempre a seguinte pergunta: há realmente um risco ergonômico que justifique o enquadramento automático do caso como decorrente do trabalho? Caso haja, não haverá o que discutir em relação ao nexo técnico presumido, sendo aplicáveis todas as medidas e direitos decorrentes desse nexo; caso não haja, caberá à empresa recorrer junto à prevideência social e reverter o caso para afastamento não ocupacional. Portanto, o ponto chave da conduta é a definição quanto à existência ou não do risco ergonômico. E esse ponto de decisão contém algumas questões sutis, que necessitam ser esclarecidas.
     Ninguém tem dúvida em situações óbvias. As dúvidas aparecem em trabalhos de manufatura, onde as pessoas se envolvem com movimentos repetidos muitas vezes durante a jornada; e também no trabalho comum em escritóriso ou atividades de tele-atendimento, onde ocorre uma tendência à generalização do risco.

 Trabalhos com esforços muito intensos costumam ser de alto risco ergonômico - FATO
    Não há qualquer dúvida quanto à existência de risco entre trabalhadores envolvidos em carregamento de sacas de mantimentos ou de cimento de 50 a 60 kg, mesmo que ocasional (mesmo em indivíduos fortes). Também não há dúvida quando as pessoas tem de que fazer esforços críticos, de alta exigência, especialmente relacionados a esforços para a coluna vertebral. Outros profissionais como mecânicos envolvidos em atividades de alta exigência sem as ferramentas para tal. Também aqueles que trabalham por tempo prolongado em ambientes muito quentes. Nesses casos, a sobrecarga biomecânica ou fisiológica acima dos limites de tolerância das estruturas orgânicas é o fator determinante do risco.

A repetição de um mesmo padrão de movimento se constitui em risco ergonômico - MITO
    Os estudos científicos são bem conclusivos quanto ao papel patogênico da repetição de um mesmo padrão de movimento, em alta velocidade e por jornadas prolongadas. Essa tríade eu a denomino de repetividade patogênica. Ela pode ficar bem caracterizada para o leitor ao abordarmos a repetição não patogênica.
   Não é patogênica a repetição em que o trabalhador tem os tempos corretos de recuperação de fadiga, estudados por técnicas científicas. Tampouco é patogênica a repetição em velocidade normal a baixa; ou quando há rodízios adequados. Em empresas, é muito comum que, mesmo sem haver rodízio entre tarefas,o trabalhador tenha um período longo de uma atividade complementar, de exigência diferente. Por exemplo, numa situação em que, embora não haja rodízio na tarefa, ao final de um certo número de peças produzidas, o trabalhador sai daquela posição e dirige-se para outra máquina onde faz uma operação complementar naquele conjunto de peças previamente trabalhadas. Outra situação de repetividade não patogênica é quando a tarefa tem , em si, tempos de pausa curtíssima suficientemente longos para permitir o repouso. Ou quando existe uma concessão significativa em termos de tempo para preparar a produção ou para finalizá-la.A chance de uma repetição de movimentos ser caracterizada como patologia é também menor quando há boa postura do corpo ao executar o trabalho, quando existe pouca força, quando há pouco esforço estático e quando a carga mental é razoável.

Mas em certas condições a repetição de um mesmo padrão de movimento se constitui em risco ergonômico - FATO

   Assim, é nitidamente patogênica a repetividade em que o trabalhador tem ritmo muito forçado, quando não faz rodízio de movimentos e mantém  o mesmo padrão durante toda a jornada, quando faz horas extras nessa atividade e quando há ainda fatores biomecânicos complicadores, como força excessiva, desvios posturais, postura estática e alta carga mental na atividade. E quando não tem as necessárias pausas de recuperação.

Ciclos menores que 30 segundos são de risco ergonômico - MITO

   Caso no ciclo existam os mecanismos de regulação, especialmente as pausas curtíssimas suficientes, não haverá risco.

Mas ciclos muito curtos tem maior chance de apresentar risco ergonômico - FATO

  No caso de ciclos menores que 10 segundos, é muito pouco provável haver pausa curtíssima suficiente. Nesses casos, antes de afirmar existir o risco ergonômico, é fundamental checar se há ou não rodízios eficazes e se há ou não tempo de recuperação de fadiga.

Um trabalho repetitivo, em condições bem gerenciadas, pode não ter risco ergonômico;a mesma realidade biomecânica, mal gerenciada, pode ser de risco ergonômico - FATO

  Definimos organização do trabalho como o conjunto de planos administrativos visando atingir as metas estabelecidas. Ela se constitui num somatório de 9 letras, mnemonicamente fáceis de serem guardadas:
1T e 8M (tecnologia,maquinário,manutenção,matéria-prima,material,método,recursos do meio ambiente,mão-de-obra e money).Quaisquer disfunção importante em algum desses componentes pode resultar em risco ergonômico. Por exemplo, guidões de paleteiras elétricas sem manutenção podem resultar em grande esforço físico para os braços do trabalhador e, consequentemente, lesão ergonômica. Outro exemplo, aumentar as metas sem considerar a capacidade das equipes costuma resultar em aceleração dos processos produtivos, horas extras e, portanto, aparecimento de risco ergonômico onde previamente não existia. Sutil? Muito!

O trabalho em escritório costuma ter muitos fatores de risco ergonômico - FATO

 O risco pode ser caracterizado em situação de desajustes biomecâmnicos bastante significativos. As condições mais frequentes são : cadeiras e assentos muito ruins, mesas impróprias para a atividade gerando má condição biomecânica, quina viva em mesa de trabalho, uso inadequado do notebook, diretamente sobre a mesa com encurvamento da coluna e telefone preso ao pescoço enquanto se trabalha. Além disso,
costuma haver risco ergonômico em situações de alta carga mental.
  As questões relacionadas ao desconforto térmico, desconforto acústico e má iluminação , fugindo dos parâmetros fixados pela NR17, devem ser consideradas como causadoras de desconforto, dificuldade ou fadiga, não se constituindo em risco.

Trabalhos de alta carga mental são sempre de risco ergonômico - MITO

  Trata-se de uma questão complexa. A ISO desenvolveu em sua norma sobre o assunto (Norma 10.175 -1991 a 2004) um modelo em que as seguintes características do trabalho podem ser consideradas causadoras de carga mental: exigências de tarefa (atenção prolongada, processamento de informação, responsabilidade, padrões temporal e de duração da jornada de trabalho, conteúdo da tarefa e perigo),
condições físicas do ambiente (iluminação, condições climáticas, ruído, tempo e odores), fatores sociais e organizacionais ( tipo de organização, clima organizacional, fatores do grupo, liderança , conflitos, contatos sociais) e fatores externos ( demanda social, padrões culturais e situação econômica ). Segundo o mesmo modelo, características pessoais diversas são capazes  de modificar a relação de estresse e de carga mental diante das exigências do trabalho, sendo relacionadas as seguintes: nível de aspiração, auto-confiança, motivação, atitudes, capacidade de lidar, habilidades, qualificações, conhecimento, experiência, condição geral de saúde, constituição física, idade, estado nutricional e niível de ativação inicial.
  Conformem se pode perceber desse modelo, não há regra fixa, e uma situação que poderia trazer sobrecarga mental para uma pessoa pode ser atém mesmo motivo de desafio e auto-desenvolvimento para outra. Apesar dessa dificuldade, diversos autores concordam que a carga mental tem um potencial patogênico nas situações de muitos prazos-limites apertados, em casos de falta de controle do indivíduo sobre o resultado de seu trabalho, com possíveis consequências graves, e nas situações em que se deixam pontas mal finalizadas, com possíveis consequências importantes, tal como reparos feitos sem a precisão final necessária em situação de risco - ex. mecânico de uma aeronave que tem que colocar uma peça fora da especificação.
  Seria caracterizado o risco ergonômico por carga mental quando uma porcentagem importante de trabalhadores daquela atividade  esteja apresentando sintomas de transtornos mentais, comparados a outros grupos de outras funções. Essa diferença deve ser demonstrada por teste estatístico (quiquadrado, razões de chance e outro).
   Isso nos remete, por fim, à conclusão de que existir ou não o risco ergonômico por sobrecarga mental não está relacionado  a um tipo de estabelecimento ou um tipo de atividade.

Trabalhar em call-center é de alto risco ergonômico - MITO

  Embora na atividade de call-center exista uma série de itens causadores de estresse e carga mental, é um sofisma fazer a generalização de que trabalhar em call-center é igual a sofrer de estresse e sobrecarga mental.
  Em alguns call-centers costuma existir os três fatores mais implicados em sobrecarga mental acima citados:
controle rígido sobre o tempo e resultados, falta de controle sobre as reclamações dos clientes e não conclusão do processo, gerando pontas. Mas também é verdade que há call-centers bem gerenciados, com bom ambiente de trabalho, feedback bem feito, meritocracia, melhoria gradativam dos sistemas, pausas, treinamento bem feito dos novatos e ações efetivas visando facilitar o trabalho dos atendentes.
  Assim, a existência ou não de risco ergonômmico em call-centersm está relacionada mais à qualidade da ação gerencial: naqueles bem administrados, trabalha-se num nível de tensão correto, sem sobrecarga. Nos mal gerenciados, é comum haver alta frequeência de adoecimento por transtornos mentais.

Posso fazer a definição do risco ergonômico com base em check-list - MITO

  Numa análise ergonômica, os check-lists são ferramentas complementares e não deveriam ser usados como ferramentas únicas. Qual é sua grande limitação com esse intuito? É que eles em geral não medem a existência ou não de mecanismos de regulação.


CONCLUSÃO

  Uma das características mais marcantes do risco ergonômico é a sua oscilação dependente da realidade de momento de uma determinada empresa. Assim, é possível que, em determinado mmmmomento não haja um risco ergonômico e em outro momento, poucos dias após, já exista o risco. Ou o contrário. Também depende do tipo de produto, de haver produções mais fáceis ou mais difíceis; de haver uma coleção de verão ou de inverno na indústria de confecções; e assim por diante.
  Estar atento a todos esses detalhes e sutilezas é função do especialista interno em ergonomia, por isso tem a ver diretamente com o reconhecimento ou não do risco por ocasião de um afastamento médico.
  De qualquer forma, uma boa orientação para o leitor é saber que os fatores que mais determinam risco ergonômico são:   a intensidade de um determinado fator, a frequência do exercício dessa ação técnica ao longo da jornada e a taxa de ocupação. E um dos melhores meios de detectar o impacto desses fatores é a prática da ferramenta intitulada censo de ergonomia, que se constitui basicamente em perguntar a todos os trabalhadores por ocasião da revisão periódica:  você considera  que no seu trabalho há algum fator que lhe cause desconforto, dificuldade ou fadiga?
A análise estatística das respostas pode orientar muito para a caracterização ou não do risco ergonômico.


"Os três principais fatores determinantes do risco ergonômico são:

 - INTENSIDADE DA EXIGÊNCIA;

 - FREQUÊNCIA;

 - TAXA DE OCUPAÇÃO.


Veja o outro Informativo (n° 80 ) " 11 equívocos e mal-entendidos quanto ao 
 conceito de ergonomia e sua prática."
 no site da Ergo - Assessoria e Consultoria em Saúde Ocupacional.link:
 Ergo - Av. Getúlio Vargas 668/ 1306 - Belo Horizonte - MG

Médico, graduado pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, 1974.
Médico do Trabalho, UFMG, 1975, tendo exercido a especialidade durante 11 anos em empresa do setor metalúrgico, Belo Horizonte, tendo inclusive desempenhado o cargo de Gerente de Recursos Humanos.
Especialista em Medicina do Trabalho, com título reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina; Prova de Título de Especialista em Medicina do Trabalho pela ANAMT (Associação Nacional de Medicina do Trabalho) em 1989.
DOUTOR EM ADMINISTRAÇÃO pelo CEPEAD - Faculdade de Ciências Econômicas, Belo Horizonte, Universidade Federal de Minas Gerais, 2000 – tendo desenvolvido a Tese de Doutorado a respeito do FENÔMENO LER/DORT NO BRASIL: NATUREZA, DETERMINANTES E PAPEL DAS ORGANIZAÇÕES E DOS DEMAIS ATORES SOCIAIS PARA LIDAR COM A QUESTÃO.
Ex-Diretor Científico da ANAMT (Associação Nacional de Medicina do Trabalho), gestões 1998-2001 e 2001-2004.
Professor Universitário de Fisiologia, da Faculdade de Ciências Médicas, desde 1975; atualmente coordenador da Disciplina de Fisiologia para o Curso de Medicina e de Fisiologia do Exercício para o Curso de Fisioterapia.
Coordenador Geral da Pós-Graduação em Medicina do Trabalho da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, Belo Horizonte
Coordenador do Curso de Especialização em Ergonomia Aplicada ao Trabalho – Lato Sensu- da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, Belo Horizonte.
Cursos no Exterior diversos, bem como estágios técnicos, no Center for Ergonomics, The University of Michigan, 1984, 1989, 1992, 1994,2000 e 2005
Estágios Técnicos em Ergonomia em Dortmund (Alemanha), Zurich (Suiça) e Nottingham (Inglaterra), 1989.
- Autor de  livros sobre a Área de Ergonomia. 

domingo, 30 de março de 2014

Trabalho em altura : improvisação e acidente.

Acidente de trabalho devido à falta de atenção ao disposto na NR 35 - Falta de supervisão, equipamento inadequado, improvisação, etc. Exemplo básico das consequências terríveis de uma queda em altura  (2 metros aproximadamente). 

A NR 35 está à disposição no site do Ministério do Trabalho. Conheça a Norma Regulamentadora que garante a integridade física do trabalhador.

sábado, 29 de março de 2014

PPRA - Considerações Gerais

Quais são os objetivos do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais -PPRA?

Os objetivos do PPRA são:
-Garantir a salubridade, preservar a saúde, assegurar padrões adequados de saúde e bem-estar, prevenir riscos ocupacionais e proteger o meio ambiente e os recursos naturais.

A quem compete a elaboração do PPRA:
-A elaboração do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais deve ser feita pelo SESMT ou por pessoa ou equipe que, a critério do empregador, seja capaz de desenvolver corretamente a NR-9, ou por um profissional habilitado e qualificado.

Quais são as fases que devem ser obedecidas para elaboração de um PPRA:
-Deve-se obedecer as fases de antecipação,reconhecimento,avaliação e controle.

O que consiste a fase de antecipação para elaboração de um PPRA?
- A fase de antecipação de um PPRA consiste na concepção do projeto, no estudo de novos processos ou produtos , no estudo das modificações dos modificadores do processo, nas alterações necessárias aos postos de trabalho e na criação de uma equipe multidisciplinar.

Em que consiste a fase de reconhecimento para a elaboração de um PPRA?
-A fase de reconhecimento para elaboração de um PPRA consiste na identificação propriamente dita dos riscos físicos, químicos e biológicos a que o trabalhador estará sujeito.

Quais são as principais dificuldades encontradas para a elaboração de um PPRA?
-Não há uma norma bem esclarecedora. Há um total desconhecimento do método empregado, inexistência de profissionais, pouca disponibilidade de equipamentos e uma verdadeira indefinição de um modelo apropriado de documento-base.

Em que consiste a fase de avaliação para a elaboração de um PPRA?
-Na fase de avaliação  para a elaboração de um PPRA é preciso medir a concentração ou intensidade da exposição ocupacional para fazer comparações, buscar subsídios para estudos epidemiológicos, fornecer dados para projetos  de medidas de controle e comprovar o
controle da exposição ou a inexistência de valores acima dos limites de tolerância ou de nível de ação, além de haver a necessidade de uma boa avaliação quantitativa.

Em que consiste a fase de controle para a elaboração de um PPRA?
-A fase de controle para a elaboração de um PPRA é uma consequência das três fases anteriores, pois é a partir dos dados relativos às fases de antecipação , reconhecimento e avaliação que se poderá propor ou adotar medidas que possam eliminar diminuir ou controlar o(s) risco(s) presente(s) no ambiente de trabalho.

Como devem ser aplicadas as medidas de controle?
-Devem ser aplicadas de acordo com as situações verificadas em cada uma das fases anteriores (antecipação, reconhecimento e avaliação).

Que medidas de controle devem ser tomadas na fase de reconhecimento?
-Nesta fase é preciso , a partir dos dados coletados com os próprios trabalhadores ou pela inspeção tomar medidas de controle , muitas vezes paliativas, até que se possa tomar a medida de controle definitiva.

Que medidas de controle devem ser tomadas na fase de avaliação?
- As medidas de controle tomadas na fase de avaliação dependem de cada empresa, de cada setor e variam de acordo com a própria natureza da avaliação.

Quais são as primeiras medidas  que devem ser tomadas para controlar os riscos físicos, quimicos e biológicos?
-As primeiras medidas de controle dos riscos físicos, quimicos e
biológicos devem visar a eliminação ou, se isso não for possível, pelo menos a redução  da existência de agentes prejudiciais à saúde do trabalhador.

Se houver , inevitavelmente , a formação ou produção de agentes prejudiciais à saúde  do trabalhador, que medidas devem ser tomadas?
-Devem ser tomadas medidas que possam prevenir a disseminação de tais agentes no ambiente de trabalho ou diminuir , o máximo possível, a concentração desses agentes.

Não sendo possível nenhuma dessas medidas, que deve ser feito?
-Devem ser tomadas medidas de caráter administrativo ou de organização do trabalho e utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs) com o devido treinamento para assegurar a sua eficiência.

Qual a periocidade de avaliação do PPRA?
-a) Anual : entre o nível de ação e o limite de tolerância;
-b)Bianual: para valores encontrados  até o nível de ação;
-c)em qualquer tempo: para estabelecimento de nexo causal ou se o limite de tolerância for ultrapassado.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

operador de empilhadeiras - acidentes

Falta de atenção? Pressa,improvisação, exceção (só hoje...), princípio da auto exclusão (as coisas só acontecem com os outros) e finalmente presunção (assumir responsabilidade - eu acho que...).

terça-feira, 24 de abril de 2012

Reparando linhas vivas de alta voltagem- de helicóptero!

nos EUA algumas empresas utilizam helicópteros na manutenção dos cabos de linha de alta tensão- trabalho perigoso - para poucos!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Atividades de escritórios-riscos e cuidados

Acidentes de trabalho e danos à propriedade nos escritórios são em número
e em gravidade  menores  que os de uma área de "chão de fábrica".

Isso não quer dizer que aqueles que trabalham na parte burocrática e
administrativa  das empresas não necessitem estar bem orientados para agir
em situações de emergência, para  eliminar condições inseguras ou tornar as
estações de trabalho adequadas de maneira a não causarem danos ao ultrapas-
sarem as limitações do corpo humano . Também  há necessidade do controle  
dos fatores ambientais nestes locais de trabalho.

Os escritórios, são hoje responsáveis por grande parte, senão a maioria
dos casos de registros de doenças profissionais e ou ocupacionais como
 LER e DORT.
A denominação LER foi sugerida pelo INSS em 06/08/1987 reconhecendo-a como doença do trabalho.


A implementação e execução de um programa de segurança não é atividade apenas  da CIPA, mas todos devem ser responsáveis: Diretores; Gerentes; Supervisores; Auxiliares etc.

Planos de ação


  • Rotas de fuga - ponto de encontro e contagem de funcionários;
  • Métodos de evacuação, sistemática de comunicação com Bombeiros ou Resgate;
  • Primeiros socorros a feridos e métodos de remoção dos mesmos;
  • Uso de extintores e hidrantes;
  • Ameaças e atentados;
  • Proteção de informações privadas da empresa etc.
O planejamento é a arma mais importante na luta contra imprevistos que podem levar
às tragédias.Equipes de emergência devem ser organizadas com funcionários dos
escritórios e treinadas constantemente.

Pontos específicos:
Equipamentos elétricos eletrônicos- o dimensionamento e manutenção de sistemas
elétricos mal feitos levam aos acidentes,devido às sobrecargas e falta de manutenção,
 além da improvisação, muito comum em nosso país.

Pontos importantes:

  • Verificar se há  tomadas adequadas e aterradas para cada equipamento.
  • existência de extensões elétricas em baixo de carpetes.
  • equipamentos sem o devido aterramento.
  • observar quadro de disjuntores identificados por setores.
  • Testar periodicamente os disjuntores e sua ativação ou desativação de energia. 
  • novos equipamentos em relação ao sistema elétrico existente.
  • reparos em equipamentos elétricos somente por pessoal técnico.
Ergonomia
Ergonomia é o estudo do relacionamento entre as pessoas, os equipamentos que eles usam e o ambiente físico em que trabalham.  Aplicando os princípios da ergonomia para o design, modificação e manutenção de ambientes de trabalho, obtem-se uma vantagem sobre o desempenho das pessoas  no trabalho a curto prazo e a  longo prazo na saúde e segurança. Deve-se principalmente:

Observar atentamente a postura e outras informações "in loco" :

  • as estações de trabalho  para cada tipo  de setor e segundo o biotipo do funcionário.


  • Troca de estações de trabalho já existentes e inadequadas.


  • Interrupções periódicas (segundo normas vigentes) para trabalhos repetitivos.


  • Relaxamento para todos os funcionários conforme tipo e duração do trabalho.


  • Outras medidas de acordo com o observado nos locais .


  • Mobiliário inadequadoPara trabalho manual sentado ou que tenha de ser feito em pé, as bancadas, mesas, escrivaninhas e os painéis devem proporcionar ao trabalhador condições de boa postura, visualização e operação e devem atender aos seguintes requisitos mínimos: 
    a) ter altura e características da superfície de trabalho compatíveis com o tipo de atividade, com a distância requerida dos olhos ao campo de trabalho e com a altura do assento;
    b) ter área de trabalho de fácil alcance e visualização pelo trabalhador;
    c) ter características dimensionais que possibilitem posicionamento e movimentação adequados dos segmentos corporais.

    Para as atividades em que os trabalhos devam ser realizados sentados, a partir da análise ergonômica do trabalho, poderá ser exigido suporte para os pés que se adapte ao comprimento da perna do trabalhador.

    Para as atividades em que os trabalhos devam ser realizados de pé, devem ser colocados assentos para descanso em locais em que possam ser utilizados por todos os trabalhadores durante as pausas.

    Equipamentos dos postos de trabalho
    Todos os equipamentos que compõem um posto de trabalho devem estar adequados às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado.

    Nas atividades que envolvam leitura de documentos para digitação, datilografia ou mecanografia deve:
    a) ser fornecido suporte adequado para documentos que possa ser ajustado proporcionando boa postura, visualização e operação, evitando movimentação freqüente do pescoço e fadiga visual;
    b) ser utilizado documento de fácil legibilidade sempre que possível, sendo vedada a utilização do papel brilhante, ou de qualquer outro tipo que provoque ofuscamento.

    Os equipamentos utilizados no processamento eletrônico de dados com terminais de vídeo devem observar o seguinte:
    a) condições de mobilidade suficientes para permitir o ajuste da tela do equipamento à iluminação do ambiente, protegendo-a contra reflexos, e proporcionar corretos ângulos de visibilidade ao trabalhador;
    b) o teclado deve ser independente e ter mobilidade, permitindo ao trabalhador ajustá-lo de acordo com as tarefas a serem executadas;
    c) a tela, o teclado e o suporte para documentos devem ser colocados de maneira que as distâncias olho-tela, olho-teclado e olho-documento sejam aproximadamente iguais;
    d) serem posicionados em superfícies de trabalho com altura ajustável.


    Condições ambientais

    observar atentamente  alguns agentes de risco em escritórios:
    • Vapores e gases oriundo de maquinas copiadoras;
    • Gás liquefeito de petróleo proveniente de mini cozinhas;
    • Emanações de substâncias químicas usadas na cola de carpetes;
    • Monóxido de carbono proveniente de cigarros;
    • Emanações conduzidas de outras áreas de atividade por meio do sistema de ar condicionado;
    • Microorganismos oriundo de pessoas gripadas etc.
    Verificações rotineiras

    Permitam avaliar  agentes de riscos e condições perigosas" que possam surgir ou já
    estão presentes  no ambiente do trabalho através de inspeções semanais ou auditorias

    Mente e corpo

    Para ser eficaz o programa de planejamento visando a segurança deve atentar para fatores que eventualmente possam vir a prejudicar o equilíbrio emocional dos funcionários .Alguns dos fatores a serem considerados como causa de  "stress" são :
    Outros fatores importantes:

    -Os projetos de iluminação dos ambientes de trabalho raramente se preocupam com o tipo de tarefa que será realizada no local mesmo existindo a exigência legal da NBR-5413 (Norma de Iluminação) NR-9 (Norma de Prevenção de Riscos Ambientais).
    A Tabela abaixo apresenta alguns níveis de iluminância necessários a alguns ambientes e tarefas.





    NÍVEIS DE ILUMINÂNCIA PARA INTERIORES (NBR-5413)
    AMBIENTE OU TRABALHOLUX
    Sala de espera100
    Garagem, residência, restaurante150
    Depósito, indústria (comum)200
    Sala de aula300
    Lojas, laboratórios, escritórios500
    Sala de desenho (alta precisão)1.000
    Serviços de muito alta precisão2.000


    1. Excesso de luz é um problema comum nas empresas e nos escritórios. Muita luz, no entanto, não significa luz adequada. Pelo contrário, pode atrapalhar e gerar uma sensação de desconforto.
    2. O limite mínimo também deve ser observado. A iluminação da área de trabalho deve apresentar, no mínimo, 500 luxes, o que é fiscalizado pelo Ministério do Trabalho.
    3. Além da iluminação geral, algumas atividades exigem uma iluminação mais pontual na mesa de trabalho (desklight).
    4. O excesso da luz solar deve ser controlado com cortinas e persianas. Há uma tendência em se aproveitar a luz natural, sempre complementando-a com a iluminação artificial.
    5. Ao longo do dia, as pessoas têm necessidades diferentes - normalmente decrescentes - de iluminação. Identificar essa variação pode ajudar no rendimento do trabalho.
    6. Iluminação com cores diferentes torna o ambiente de trabalho menos monótono, causando uma sensação de bem-estar.
    7. Também é possível utilizar recursos de iluminação em paredes, para torná-las mais aconchegantes.
    8. O computador nunca deve receber a luz natural da janela diretamente na tela. O ofuscamento prejudica a concentração e a saúde.
    9. Pesquisa feita nos Estados Unidos demonstrou que aqueles que ficavam perto de janelas tinham 23% menos queixa de dor nas costas, dor de cabeça e exaustão.
    10. Remova lâmpadas onde há mais luz do que o necessário, mas certifique-se de manter uma iluminação boa em locais de trabalho para não prejudicar seu desempenho ou evitar acidentes (áreas com máquinas).
    11. Realizando a limpeza de paredes, tetos e pisos e utilizar cores claras no ambiente de trabalho e estudo, melhoram a iluminação do local e você se sentirá mais confortável e disposto no seu local de trabalho.
    Condições acústicas desfavoráveis Ruídos muito intensos ou constantes tendem a produzir aumento da sensação de cansaço e de desgaste. a mensuração do nível de ruído é feita com um equipamento especial, somente acessível para os profissionais de segurança e saúde ocupacional. No entanto, você pode adotar algumas medidas práticas de avaliação.

    São fontes comuns de ruídos incomodativos e estressantes, em escritório, que podem ser eliminados:
    O tráfego
    O aparelho de ar condicionado
    Campainhas dos telefones
    Ventoinhas do computador, com defeito
    Impressoras matriciais
    Luzes fluorescentes com defeito
    Conversas paralelas em telefones
    Condições térmicas extremas,


    Excessivo número de horas-extras Sobrecarga de trabalho pela desproporção entre a quantidade de produção e o número de funcionários necessário para realizá-la.

    Outras situações que costumam ocorrer com uma certa freqüéncia são os escorregões e quedas
    Para evitar escorregões e quedas
    •Limpe e enxugue imediatamente qualquer respingo.
    •Isole as áreas molhadas até que estejam totalmente secas.
    •Mantenha os acessos e áreas de trabalho livres de objetos.
    •Verifique se os tapetes estão soltos e corrija os pisos irregulares.
    •Elimine extensões e cabos que estão soltos pelo chão.
    •Nunca improvise escadas com caixas, prateleiras ou cadeiras.
    •Use sempre uma escada para alcançar qualquer coisa que não esteja ao seu alcance.
    •Verifique se a escada esta em perfeitas condições ante de usá-la.

    Outros cuidados
    -Feche as gavetas e extensões de mesas quando não estiverem usando,use

    uma gaveta de cada vez.não bata as gavetas para fechá-las.Evite o esmaga-
    mento de dedos.
     -Cuidado com cabelos soltos e roupas largas próximo às máquinas. -Tenha cuidado com cortadores de papel e outras ferramentas afiadas.
    -Não rode ou corra sentado nas cadeiras com rodinhas e evite inclinar-se em demasia para pegar
    objetos no chão.
    -não leia e caminhe ao mesmo tempo.
    -observe o caminho.
    -não permaneça em frente a portas que abrem na sua direção.
    -não jogue fósforos ou cigarros acesos em cestas de lixo.
    ainda é importante salientar:
    importância - de colocar os itens mais importantes nos locais mais vantajosos ou acessíveis;
    frequência de uso - de colocar os itens mais utilizados dentro de fácil alcance;
    função - materiais e equipamentos com funções intimamente relacionados devem ser agrupados;
    seqüência de utilização - materiais e equipamentos que são comumente usados ​​em seqüência deve ser agrupados;
    trabalho / horários de descanso - tarefas de trabalho deve ser variada para mudar a posição do corpo e atividades mentais. 
     posicionamento ideal - materiais e equipamentos de posicionamento para reduzir os perigos físicos e usabilidade aumento, por exemplo, a colocação de um suporte para documentos na frente de uma pessoa, se ele é visto mais freqüentemente do que o monitor, eliminando o brilho em telas de computador por monitores posicionamento paralelas para luminárias e na ângulos retos para     o Windows.

    Ambiente de trabalho - fatores negativos...
    • Falta de definição da função; inexistência de políticas definidas e claras;
    • Instruções confusas e não objetivas;
    • Falta de entendimento das metas e objetivos da empresa;
    • Falta de programa de treinamento;
    • Não participação do funcionário em decisões que o afetam diretamente;
    • Ausência de um procedimento objetivo de avaliação de desempenho;
    • Ausência de planos de carreiras ou progresso pessoal;
    • Muitos níveis hierárquicos e falta de liderança de gerentes e supervisores etc.
    O ambiente entre os colegas de trabalho também é um fator importante. Pessoas que trabalham em grupos cujos componentes se suportam e auxiliam mutuamente, tendem a adoecer menos. Competição acirrada e medo de demissão, quando potencializados pela ação de um chefe de setor não treinado na arte de conduzir pessoas e de influenciá-las, de maneira positiva, tendem a ser fontes potenciais de "epidemias" de L.E.R.
    Assista a um video sobre o assunto no endereço abaixo:
    http://www.youtube.com/watch?v=AAOGWMsizkA.

    Veja também postagem de maio de 2014 -
    http://trabalhoacidentezero.blogspot.com.br/2014/05/ergonomia-estudo-e-link-para.html


    Saúde e Segurança- Informações Gerais

    Histórico da Saúde e Segurança no Trabalho, no Brasil e no Mundo.

    O êxito de qualquer atividade empresarial é diretamente proporcional ao fato de se manter a sua peça fundamental - o trabalhador - em condições ótimas de saúde. As atividades laborativas nasceram com o homem. Pela sua capacidade de raciocínio e pelo seu instinto gregário, o homem conseguiu, através da história, criar uma tecnologia que possibilitou sua existência no planeta.
    Uma revisão dos documentos históricos relacionados à Segurança do Trabalho permitirá observar muitas referências a riscos do tipo profissional mesclados aos propósitos dohomem de lograr a sua subsistência. Na antigüidade a quase totalidade dos trabalhos eram desenvolvidos manualmente - uma prática que nós encontramos em muitos trabalhos dosnossos dias.
    • Hipócrates em seus escritos que datam de quatro séculos antes de Cristo, fez menção à existência de moléstias entre mineiros e metalúrgicos.
    • Plínio, O Velho, que viveu antes do advento da era Cristã, descreveu diversas moléstias do pulmão entre mineiros e envenenamento advindo do manuseio de compostos de enxofre e zinco. Galeno, que viveu no século II, fez várias referências a moléstias profissionais entre trabalhadores das ilhas do mediterrâneo.
    • Agrícola e Paracelso investigaram doenças ocupacionais nos séculos XV e XVI.
    • Georgius Agrícola, em 1556, publicava o livro "De Re Metallica", onde foram estudadosdiversos problemas relacionados à extração de minerais argentíferos e auríferos, e à fundição da prata e do ouro. Esta obra discute os acidentes do trabalho e as doenças mais comuns entre os mineiros, dando destaque à chamada "asma dos mineiros". A descrição dos sintomas e a rápida evolução da doença parece indicar sem sombra de dúvida, tratarem de silicose.
    • Em 1697 surge a primeira monografia sobre as relações entre trabalho e doença de autoria de Paracelso: "Von Der Birgsucht Und Anderen Heiten". São numerosas as citações relacionando métodos de trabalho e substâncias manuseadas com doenças.Destaca-se que em relação à intoxicação pelo mercúrio, os principais sintomas dessa doença profissional foram por ele assinalados.
    • Em 1700 era publicado na Itália, um livro que iria ter notável repercussão em todo o mundo. tratava-se da obra "De Morbis Artificum Diatriba" de autoria do médico Bernardino Ramazzini que, por esse motivo é cognominado o "Pai da Medicina do Trabalho". Nessaimportante obra, verdadeiro monumento da saúde ocupacional, são descritas cerca de 100 profissões diversas e os riscos específicos de cada uma. Um fato importante é que muitas dessas descrições são baseadas nas próprias observações clínicas do autor o qual nunca esquecia de perguntar ao seu paciente: "Qual a sua ocupação?".
    Devido a escassez de mão-de-obra qualificada para a produção artesanal, o gênio inventivo do ser humano encontrou na mecanização a solução do problema. Partindo da atividade predatória, evoluiu para a agricultura e pastoreio, alcançou a fase do artesanato e atingiu a era industrial.
    Entre 1760 e 1830, ocorreu na Inglaterra a Revolução Industrial, marco inicial da moderna industrialização que teve a sua origem com o aparecimento da primeira máquina de fiar.
    Até o advento das primeiras máquinas de fiação e tecelagem, o artesão fora dono dos seus meios de produção. O custo elevado das máquinas não mais permitiu ao próprio artífice possuí-las. Desta maneira os capitalistas, antevendo as possibilidades econômicas dos altos níveis de produção, decidiram adquiri-las e empregar pessoas para faze-las funcionar. Surgiram assim, as primeiras fábricas de tecidos e, com elas, o Capital e o Trabalho.
    Somente com a revolução industrial, é que o aldeão, descendente do troglodita, começou a agrupar-se nas cidades. Deixou o risco de ser apanhado pelas garras de uma fera, para aceitar o risco de ser apanhado pelas garras de uma máquina.
    A introdução da máquina a vapor, sem sombra de dúvida, mudou integralmente o quadro industrial. A indústria que não mais dependia de cursos d'água, veio para as grandes cidades, onde era abundante a mão-de-obra.
    Condições totalmente inóspitas de calor, ventilação e umidade eram encontradas, pois as "modernas" fábricas nada mais eram que galpões improvisados. As máquinas primitivas ofereciam toda a sorte de riscos, a as conseqüências tornaram-se tão críticas que começou a haver clamores, inclusive de órgãos governamentais, exigindo um mínimo de condições humanas para o trabalho.

    A improvisação das fábricas e a mão de obra constituída não só de homens, mas também de mulheres e crianças, sem quaisquer restrições quanto ao estado de saúde, desenvolvimento físico passaram a ser uma constante. Nos últimos momentos do século XVIII, o parque industrial da Inglaterra passou por uma série de transformações as quais, se de um lado proporcionaram melhoria salarial dos trabalhadores, de outro lado, causaram problemas ocupacionais bastante sérios.
    O trabalho em máquinas sem proteção; o trabalho executado em ambientes fechados onde a ventilação era precária e o ruído atingia limites altíssimos; a inexistência de limites de horas de trabalho; trouxeram como conseqüência elevados índices de acidentes e de moléstias profissionais.
    Na Inglaterra, França e Alemanha a Revolução Industrial causou um verdadeiro massacre a inocentes e os que sobreviveram foram tirados da cama e arrastados para um mundo de calor, gases, poeiras e outras condições adversas nas fábricas e minas. Esses fatos logo se colocaram em evidência pelos altos índices de mortalidade entre os trabalhadores e especialmente entre as crianças.
    A sofisticação das máquinas, objetivando um produto final mais perfeito e em maior quantidade, ocasionou o crescimento das taxas de acidentes e, também, da gravidade desses acidentes.


    Nessa época, a causa prevencionista ganhou um grande adepto: Charles Dickens. Esse notável romancista inglês, através de críticas violentas, procurava a todo custo condenar o tratamento impróprio que as crianças recebiam nas indústrias britânicas.
    Pouco a pouco, a legislação foi se modificando até chegar à teoria do risco social: o acidente do trabalho é um risco inerente à atividade profissional exercida em benefício de toda a comunidade, devendo esta, por conseguinte, amparar a vítima do acidente.
    No Brasil, podemos fixar por volta de 1930 a nossa revolução industrial e, embora tivéssemos já a experiência de outros países, em menor escala, é bem verdade, atravessamos os mesmos percalços, o que fez com que se falasse, em 1970, que o Brasil era o campeão mundial de acidentes do trabalho.
    Embora o assunto fosse pintado com cores muito sombrias, o quadro estatístico abaixo nos dá idéia de que era, de fato, lamentável a situação que enfrentávamos. Ao mesmo tempo, pudemos vislumbrar um futuro mais promissor, que só foi possível pelo esforço conjunto de toda nação: trabalhadores, empresários, técnicos e governo.





    NÚMERO DE ACIDENTES DO TRABALHO OCORRIDOS NO PERÍODO DE 1971 A 1997 (Fonte INSS)

    ANO

    NÚMERO DE SEGURADOSNÚMERO DE ACIDENTADOS

    PERCENTUAL




    19717.553.4721.330.52317,61 %
    19728.148.9871.504.72318,47 %
    197310.956.9561.632.69614,90 %
    197411.537.0241.796.76115,57 %
    197512.996.7961.916.18714,74 %
    197614.945.4891.743.82511,67 %
    197716.589.6051.614.7509,73 %
    197816.638.7991.551.5019,32 %
    197917.637.1271.444.6278,19 %
    198018.686.3551.464.2117,84 %
    198119.188.5361.270.4656,62 %
    198219.476.3621.178.4726,05 %
    198319.671.1281.003.1155,10 %
    198419.673.915961.5754,89 %
    198520.106.3901.077.8615,36 %
    198621.568.6601.207.8595,60 %
    198722.320.7501.137.1245,09 %
    198823.045.901992.7374,31 %
    198923.678.607888.3433,75 %
    199022.755.875693.5723,05 %
    199122.792.858629.9182,76 %
    199222.803.065532.5142,33 %
    199322.722.008412.2931,81 %
    199423.016.637388.3041,68 %
    199523.614.200424.1371,79 %
    199624.311.448395.4551,62 %
    199723.275.605369.0651,58 %


    1. Aspectos Legais e Prevencionistas do Acidente no Trabalho.

    O conceito definido pela lei 8.213, de 24 de julho de 1991, da Previdência Social determina, em seu Capitulo II, Seção I, artigo 19 que "Acidente de trabalho é o que ocorre no exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do artigo 11 desta lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou perda ou ainda a redução permanente ou temporária da capacidade para o trabalho".
    Também se inclui nestes casos, a chamada doença profissional mencionada como "a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social". O inciso II desse mesmo artigo define doença do trabalho como sendo aquela "adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente", como também os acidentes de trajeto, acidente sofrido pelo trabalhador, ainda que fora do local e horário de trabalho como em viagem a serviço da empresa, independente do meio de locomoção utilizado no percurso da residência para o local de trabalho ou vice-versa, nos períodos destinados a refeição ou descanso ou por ocasião da satisfação de outras necessidades fisiológicas, dentre outros.
    Tal definição é questionável por exigir que haja uma lesão para que se caracterize o AT, do ponto de vista prevencionista, o AT caracteriza-se por ser um acontecimento imprevisto que suspende ou interfere no procedimento de uma tarefa ou atividade, podendo trazer como conseqüência: perda de tempo, danos materiais, lesões físicas e doenças profissionais.

    Os prejuízos para o empregado:
    • Afastamento, mesmo temporário, do emprego;
    • Risco de perda do emprego;
    • Imobilização de um familiar em casa para acompanhar visitas ao médico e auxiliar no tratamento;
    • Queda no rendimento e na produção;
    • Problemas emocionais causados pelo acidente.

    Os prejuízos para a empresa:
    • Transporte e suporte ao acidentado;
    • Perda de horas de trabalho;
    • Diminuição de produtividade pelo trabalhador substituto;
    • Custo de demissão do substituto, no retorno ao trabalho
    • Diminuição de produtividade, temporária ou não, do empregado recuperado do acidente;

    2.Custo dos Acidentes de Trabalho

    Qualquer acidente do trabalho acarreta prejuízos econômicos para o acidentado, para a empresa, para a nação. Se encararmos o acidente do ponto de vista prevencionista (não há necessidade de efeito lesivo ao trabalhador em virtude da ocorrência), a simples perda de tempo para normalizar a situação já representa custo. Por exemplo, a queda de um fardo de algodão mal armazenado, em princípio, teria como conseqüências:
    a) o empregado encarregado da rearmazenagem dispenderá esforço para o trabalho, inclusive passando novamente pelo risco inerente à atividade, desnecessário, se a armazenagem inicial tivesse sido corretamente feita;
    b) o empregador pagará duplamente pelo serviço de armazenamento;
    c) a perda de produção, pela necessidade de execução do serviço várias vezes representa um custo para a nação, mais sentida nos casos de produtos de exportação.
    Se, no exemplo anterior, um trabalhador for atingido pelo fardo e necessitar de um afastamento temporário para recuperação, citamos como conseqüências:
    a) o operário ficará prejudicado em sua saúde;
    b) o empregador arcará com as despesas de salário do acidentado, do dia acidente e dos seguintes quinze dias;
    c) a empresa seguradora (no caso o INSS) pagará as despesas de atendimento médico, bem como os salários a partir do 16.° dia até o retorno do acidentado ao trabalho normal.
    Há diversos custos que o próprio bom senso facilmente determina. Outros, porém, além de não serem identificados na totalidade, quando o são, tornam-se de difícil mensuração.
    É o caso de um trabalhador morto em virtude de um acidente do trabalho. Um termos da nação como um todo, como mensurar a perda de capacidade produtiva e mesmo capacidade criativa do acidentado? Teremos os gastos com funeral, pagamento de pensão, porém o chamado CUSTO SOCIAL decorrente do acidente não poderá ser determinado. A família do acidentado poderá sofrer graves conseqüências, não só financeiras, como sociais. Não haverá mais a possibilidade de promoções, horas extras, etc. Toda a experiência de vida que poderia ser transmitida aos filhos é perdida.
    Pode ser sentida aqui a dificuldade para mensurar os custos dos acidentes. Para contornar esse problema, através de uma investigação de acidentes bem feita, e com a utilização de recursos matemáticos e inferências estatísticas, podemos atingir um bom nível de precisão em termos de custos para o empregador.
    Para o engenheiro, a forma mais simples de viabilizar qualquer projeto é a utilização da engenharia econômica: estudos de custos e de lucros possíveis com a aplicação de determinado programa.
    A Segurança não foge do esquema. Um Programa de Segurança é mais rapidamente aprovado a partir da constatação de que seu preço é inferior às despesas decorrentes dos acidentes.
    As noções constantes deste capítulo não cobrem todo o universo das informações existentes, mas poderão solucionar a maioria dos problemas encontrados.

    Parcelas do custo de acidentes de Trabalho.
    O custo total do acidente do trabalho pode ser dividido em duas parcelas, o chamado custo direto e o custo indireto, ou: Custo Total = Custo Direto + Custo Indireto
    O custo direto não tem relação com o acidente em si. E o custo do seguro de acidentes do trabalho que o empregador deve pagar ao Instituto Nacional de Seguridade Social - INSS,
    Tendo em vista que o custo direto nada mais é que a taxa de seguro de acidentes do trabalho paga pela empresa à Previdência Social, esse custo também é chamado de "custo segurado" e representa saída de caixa imediata para o empregador.
    Já os fatores que influem no custo indireto não representam uma retirada de caixa imediata para a empresa, mas são fatores que, embora prejudiquem a produção e inclusive a diminuam, não acarretam novos gastos, necessariamente. Eles já são inerentes à própria atividade da empresa.
    A seguir são citados alguns fatores que influem no aumento do custo indireto de um acidente do trabalho:
    • Salário pago ao acidentado no dia do acidente; mesmo em casos de acidente de trajeto, o empregador é responsável por esse pagamento;
    • Salários pagos aos colegas do acidentado, que deixam de produzir para socorrer a vítima, avisar os seus superiores e, se necessário, auxiliar na remoção do acidentado;
    • Despesas decorrentes da substituição de peça danificada ou manutenção e reparos de máquinas e equipamentos envolvidos no acidente, quando for o caso;
    • Prejuízos decorrentes de danos causados ao produto em processo;

    3.Mapa de Risco

    O Mapa de Risco foi criado através da Portaria n° 05 em 17/08/92, tratando da obrigatoriedade, por parte de todas as empresas, da "representação gráfica dos riscos existentes nos diversos locais de trabalho", e fazia parte da NR-09. Posteriormente o Mapa de Riscos passou a constar como anexo IV da NR 5, por meio da Portaria n° 25 de 29 de dezembro de 1994.
    O Mapa de riscos tem como objetivos :
    • reunir as informações necessárias para estabelecer o diagnóstico da situação de segurança e saúde no trabalho na empresa;
    • possibilitar, durante a sua elaboração, a troca e divulgação de informações entre os trabalhadores, bem como estimular sua participação nas atividades de prevenção.
    Etapas de elaboração:
    1. Conhecer o processo de trabalho no local analisado: os trabalhadores: número, sexo, idade, treinamentos profissionais e de segurança e saúde, jornada; os instrumentos e materiais de trabalho; as atividades exercidas; o ambiente.
    2. Identificar os riscos existentes no local analisado, conforme a classificação da Tabela I;
    3. Identificar as medidas preventivas existentes e sua eficácia. Medidas de proteção coletiva; medidas de organização do trabalho; medidas de proteção individual; medidas de higiene e conforto: banheiro, lavatórios, vestiários, armários, bebedouro, refeitório, área de lazer.
    4. Identificar os indicadores de saúde:
    5. queixas mais frequentes e comuns entre os trabalhadores expostos aos mesmos riscos;
    6. acidentes de trabalho ocorridos;
    7. doenças profissionais diagnosticadas;
    8. causas mais frequentes de ausência ao trabalho.

    1. Conhecer os levantamentos ambientais já realizados no local;
    2. Elaborar o Mapa de Riscos, sobre o layout da empresa, indicando através de círculo:
    3. o grupo a que pertence o risco, de acordo com a cor padronizada na Tabela I;
    4. o número de trabalhadores expostos ao risco, o qual deve ser anotado dentro do círculo;
    5. a especificação do agente (por exemplo: químico - sílica, hexano, ácido clorídrico; ou ergonômico-repetitividade, ritmo excessivo) que deve ser anotada também dentro do círculo;
    6. a intensidade do risco, de acordo com a percepção dos trabalhadores, que deve ser representada por tamanhos proporcionalmente diferentes de círculos.

    Após discutido e aprovado pela CIPA, o Mapa de Riscos, completo ou setorial, deverá ser afixado em cada local analisado, de forma claramente visível e de fácil acesso para os trabalhadores.
    No caso das empresas da indústria da construção, o Mapa de Riscos do estabelecimento deverá ser realizado por etapa de execução dos serviços, devendo ser revisto sempre que um fato novo e superveniente modificar a situação de riscos estabelecida.
    Quadro - Classificação dos principais riscos ocupacionais em grupos, de acordo com a sua natureza e a padronização das cores correspondentes.


    Grupo 1Grupo 2Grupo 3Grupo 4Grupo 5
    Riscos FísicosRiscos QuímicosRiscos BiológicosRiscos ErgonômicosRiscos de Acidentes
    VerdeVermelhoMarromAmareloAzul



    Ruídos;
    Vibrações;
    Radiações Ionizantes ;
    Radiações não Ionizantes;
    Frio;
    Calor ;
    Pressões anormais;
    Umidade .
    Poeira ;
    Fumos ;
    Névoas;
    Neblina;
    Gases;
    Vapores;
    Substâncias;
    Compostos ou produtos químicos em geral .
    Bactérias;
    Vírus
    Protozoários;
    Fungos;
    Parasitas;
    Bacilos.
    Esforço físico
    Intenso;
    Levantamento e Transporte manual de peso;
    Exigência de Postura Inadequada;
    Controle rígido de produtividade;
    Imposição de ritmos excessivos;
    Trabalho em turno e noturno;
    Jornadas de trabalho prolongadas;
    Monotonia e repetitividade ;
    Outras situações causadoras de "stress" físico e/ou psíquico .
    Esforço físico Inadequado;
    Máquinas e equipamentos sem proteção;
    Ferramentas Inadequadas ou defeituosas;
    Iluminação Inadequada;
    Probabilidade de Incêndio ou Explosão;
    Armazenamento inadequado;
    Animais peçonhentos;
    Outras situações de risco que poderão contribuir para a ocorrência de acidentes.



    4.Agentes Ambientais
    Agentes Ambientais, são elementos ou substâncias presentes nos diversos ambientes humanos
    que, quando encontrados acima dos limites de tolerância, podem causar danos à saúde das pessoas. Esses agentes ambientais são estudados por uma ciência conhecida como Higiene Industrial que tem como objetivo promover a saúde dos trabalhadores através do estudo de diversos meios.
    A Higiene Industrial é uma área relacionada à Medicina do Trabalho e a Engenharia de Segurança. A Medicina do Trabalho estuda os produtos existentes na empresa com o objetivo de avaliar o poder que esses possuem de contaminar ou provocar doenças nos trabalhadores. Compete à Engenharia de Segurança a avaliação, ou quantificação desses agentes no ambiente de trabalho que servirá para subsidiar o estudo do risco a que se expõem os trabalhadores.
    Os agentes ambientais que serão estudados em nosso projeto de pesquisa são:
    • Agentes Mecânicos
    • Agentes Físicos.
    • Agentes Químicos
    • Agentes Biológicos
    • Agentes Ergonômicos

    Agentes Físicos.
    São os riscos gerados pelos agentes que têm capacidade de modificar as características físicas do meio ambiente. Por exemplo, a existência de um tear numa tecelagem introduz no ambiente um risco do tipo aqui estudado, já que tal máquina gera ruídos, isto é, ondas sonoras que irão alterar a pressão acústica que incide sobre os ouvidos dos operários.
    Os riscos físicos se caracterizam por:
    a) Exigirem um meio de transmissão (em geral o ar) para propagarem sua nocividade.
    b) Agirem mesmo sobre pessoas que não têm contato direto com a fonte do risco.
    c) Em geral ocasiona lesões crônicas, mediatas..
    Alguns exemplos de riscos físicos ruídos (que podem gerar danos ao aparelho auditivo, como a surdez, além de outras complicações sistêmicas); iluminação (que podo provocar lesões oculares), calor, vibrações, radiações ionizantes (corno os Raios-X) ou não-ionizantes (com a radiação ultravioleta), pressões anormais, etc.
    De acordo com a definição dada pela Portaria n.º 25, que alterou a redação da NR-09, são as diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como:
    • ruído;
    • vibrações;
    • pressões anormais;
    • temperaturas extremas;
    • radiações ionizantes e não ionizantes;
    • infra-som;
    • ultra-som.

    Radiações Ionizantes: para quem precisa se submeter a exames radiológicos, os riscos da exposição a radiações ionizantes são mínimos. Mas para os profissionais que trabalham com raios x, a radiação pode trazer graves problemas à saúde.

    Radiações não-ionizantes: o que podem ter em comum atividades tão diversas como o trabalho em pistas de aeroportos, agricultura, siderurgia e telefonia celular? a resposta é: exposições a radiações não ionizantes, as quais provocam os riscos à saúde resultantes devido a ação invisível dos raios ultravioleta, infravermelho, microondas e das ondas de radiofreqüência e baixa freqüência.

    Vale aqui destacar que a gravidade (e até mesmo a existência) de riscos deste tipo depende de sua concentração no ambiente de trabalho. Uma fonte de ruídos, por exemplo, pode não se constituir num problema (e, por vezes, é até solução contra inconvenientes como a monotonia), mas pode vir a se constituir numa fonte geradora de uma surdez progressiva, e até mesmo de uma surdez instantânea (por exemplo, um ruído de impacto que perfure o tímpano), tudo depende da intensidade e demais características físicas do ruído por ela gerado.

    Agentes Químicos.
    De acordo com a definição dada pela Portaria n.º 25, que alterou a redação da NR- 09, são as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão.
    São os riscos gerados por agentes que modificam a composição química do meio ambiente. Por exemplo, a utilização de tintas á base de chumbo introduz no processo de trabalho um risco do tipo aqui enfocado, já que a simples inalação de tal substância pode vir a ocasionar doenças como o saturnismo
    Tal como os riscos físicos, os riscos químicos podem atingir também pessoas que não estejam em contato direto com a fonte do risco, e em geral provocam lesões mediatas (doenças). No entanto, eles não necessariamente demandam a existência de um meio para a propagação de sua nocividade, já que algumas substâncias são nocivas por contato direto.
    Tais agentes podem se apresentar segundo distintos estados: gasoso, líquido, sólido, ou na forma de partículas suspensas no ar, sejam elas sólidas (poeira e fumos) ou líquidas (neblina e névoas). Os agentes suspensos no ar são chamados de aerodispersóides.
    As substâncias ou produtos químicos que podem contaminar um ambiente de trabalho classificam-se, em:
    • Aerodispersóides;
    • Gases e vapores.
    As principais vias de penetração destas substâncias no organismo humano são : O aparelho, respiratório, a pele, e o aparelho digestivo.

    Agentes Biológicos.
    De acordo com a definição dada pela Portaria n° 25, que alterou a redação da NR-09, são as bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus, entre outros.
    Os riscos biológicos são introduzidos nos processos de trabalho pela utilização de seres vivos (em geral microorganismos) como parte integrante do processo produtivo, tais como vírus, bacílos, bactérias, etc, potencialmente nocivos ao ser humano.
    Tal tipo de risco pode ser decorrente também, de deficiências na higienização do ambiente de trabalho. Tal problema pode viabilizar por exemplo, a presença de animais transmissores de doenças (ratos, mosquitos, etc) ou de animais peçonhentos, (cobras) nos locais de trabalho.

    Agentes Mecânicos
    São os riscos gerados pelos agentes que necessitam de contato físico direto com a vítima para manifestar a sua nocividade. Por exemplo, a existência de uma gilete sobre uma mesa de escritório (para ser usada em atividades como apontar lápis ou cortar papéis) introduz no ambiente de trabalho um risco do tipo aqui estudado. Afinal, ao se utilizar tal instrumento há o risco de que o fio da lâmina entre em contato com alguma parte do corpo (dedo, por exemplo), podendo assim provocar cortes.
    Os riscos mecânicos se caracterizam por:
    • Atuarem em pontos específicos do ambiente de trabalho;
    • Geralmente atuarem sobre usuários diretos do agente gerador do risco;
    • Geralmente ocasionarem lesões agudas e imediatas.
    Alguns outros exemplos de agentes geradores de riscos mecânicos são os seguintes: materiais aquecidos (que provocam queimaduras), materiais perfuro- cortantes (que provocam cortes), partes móveis de máquinas ou materiais em movimento (que provocam contusões), materiais ou instalações energizados (que provocam choques), etc.

    São também rotulados como riscos mecânicos os provocados, por exemplo, por buracos no piso. A rigor, o contato com este agente não provoca nenhuma lesão. Como, no entanto, ele pode provocar uma queda (esta sim geradora de lesão), as irregularidade no pisa e os obstáculos nas vias de circulação são considerados como geradores de riscos mecânicos. O mesmo se dá com as elementos que introduzem riscos de incêndio no local de trabalho.

    Agentes Ergonômicos.
    Por definição dos radicais temosErgon que significa trabalho e Nomos que significa leis. A palavra origina-se do latim e significa leis que regem o trabalho. Do ponto de vista técnico, com base no que determina a Portaria n.º 3.751 , de 23 de novembro de 1990, que alterou a NR-17, entende-se por ergonomia o conjunto de parâmetros que devam ser estudados e implantados de forma a permitir a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente.
    Os riscos ergonômicos, são riscos introduzidos no processo de trabalho por agentes (máquinas, métodos, etc) inadequados às limitações dos seus usuários.

    Os riscos ergonômicos se caracterizam por terem uma ação em pontos específicos do ambiente, e por atuarem apenas sobre as pessoas que se encontram utilizando o agente gerador do risco (isto é, exercendo sua atividade). Em geral, os riscos ergonômicos provocam lesões crônicas, que podem ser de natureza psicofisiológica.
    Aqui está um pequeno resumo sobre o que são agentes ambientais, quanto as suas classificações e tipos. Para maiores informações, você deve consultar a norma regulamentadora 09,NR-09, que trata deste assunto com maior profundidade.

    5.Equipamentos de Proteção Individual - EPI.

    São considerados equipamentos de proteção individual todos os dispositivos de uso pessoal destinados a proteger a integridade física e a saúde do trabalhador.

    Quando não for possível adotar medidas de segurança de ordem geral, para garantir a proteção contra os riscos de acidentes e doenças profissionais, deve-se utilizar os equipamentos de proteção individual, conhecidos pela sigla EPI.
    Os equipamentos de proteção individual, ou "EPI", formam, em conjunto, um recurso amplamente empregado para a segurança do trabalhador no exercício de suas funções.
    São empregados, rotineira ou excepcionalmente, nas seguintes circunstâncias:
    • Quando o trabalhador se expõe diretamente a riscos não controláveis por outros meios técnicos de segurança
    Ex: uso de óculos, protetores, máscaras e outros "E.P.I.", em operações com aparelhos de soldagem;
    • Quando o trabalhador se expõe a riscos apenas parcialmente controlados por outros recursos técnicos
    Ex: Uso de máscaras respiratórias apropriadas em cabines de pintura, mesmo que provida de ventilação
    • Em casos de emergência ou seja, quando a rotina do trabalho é quebrada por qualquer anormalidade, exigindo o uso de proteção complementar e temporária pelos trabalhadores envolvidos
    Ex: uso de máscaras respiratórias apropriadas para reparos de vazamentos de contaminantes;
    • A título precário, em período de instalação, reparos ou substituição de dispositivos, para impedir o contato do trabalhador com o fator de risco.
    Ex: Uso de luvas de amianto para manipulação de peças quentes, enquanto não se dispõe de equipamentos para esse manuseio.
    O EPI deve cumprir as seguintes características:
    • Proteger adequadamente;
    • Serem Resistentes
    • Serem Práticos
    • De fácil Manutenção

    Assim, correspondendo a cada parte do corpo humano temos um "E.P.I." mais adequado, a saber:
    Proteção do crânio Capacetes de segurança.
    Proteção visual e facial Óculos e escudos de segurança 1 - 2- 3.
    Proteção respiratória Máscaras respiratórias 1- 2 - 3 - 4.
    Proteção auricular Protetores auriculares 1- 2- 3- 4.
    Proteção para o tronco Aventais, blusões e capas de segurança.
    Proteção para os membros superiores Luvas, mangas e punhos segurança.
    Proteção para os membros inferiores Calçados de segurança, perneiras.
    Proteção contra quedas Cinturões de segurança.

    Obrigações do empregador:
    1. adquirir o tipo adequado à atividade do empregado;
    2. fornecer ao empregado somente EPI aprovado pelo MTA e de empresas cadastradas no DNSST/MTA;
    3. treinar o trabalhador sobre o seu uso adequado;
    4. tornar obrigatório o seu uso;
    5. substituí-lo, imediatamente, quando danificado ou extraviado;
    6. responsabilizar-se pela sua higienização e manutenção periódica;
    7. comunicar ao MTA qualquer irregularidade observada no EPI.

    Obrigações do empregado:
    Obriga-se o empregado, quanto ao EPI, a:
    a) usá-lo apenas para a finalidade a que se destina;
    b) responsabilizar-se por sua guarda e conservação;
    c) comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio para uso.

    Obrigações do fabricante e do importador:
    O fabricante nacional ou o importador obrigam-se, quanto ao EPI, a:
    1. comercializar ou colocar à venda somente o EPI, portador de CA;
    2. renovar o CA, o Certificado de Registro de Fabricante - CRF e o Certificado de Registro de Importador - CRI, quando vencido o prazo de validade estipulado pelo MTA;
    3. requerer novo CA, quando houver alteração das especificações do equipamento aprovado;
    4. responsabilizar-se pela manutenção da mesma qualidade do EPI padrão que deu origem ao Certificado de Aprovação - CA;
    5. cadastrar-se junto ao MTA, através do DNSST.
    Para que se tenha a certeza de que um EPI é válido para uma determinada atividade, deve-se observar a presença do CA ou Certificado de Aprovação que é uma prova de que o EPI foi avaliado e testado por órgãos competentes do governo, e conseqüentemente, servem para a atividade que lhe foram determinadas.

    6.Certificado de Aprovação - CA

    O CA de cada EPI, para fins de comercialização, terá validade de 5 (cinco) anos, podendo ser renovado, À SSMT(Serviço de Segurança e Medicina do Trabalho) fica reservado o direito de estabelecer prazos inferiores ao citado acima, desde que as características do EPI assim o exijam. Todo EPI deverá apresentar, em caracteres indeléveis bem visíveis, o nome comercial da empresa fabricante ou importador e o número de CA.

    7.Equipamentos de Proteção Coletiva - EPC.

    Os equipamentos de proteção coletiva são conhecidos pela sigla EPC.
    Como o próprio nome diz, equipamentos de proteção coletiva são dispositivos utilizados no ambiente laboral com o objetivo de proteger os trabalhadores dos riscos inerentes aos processos. Normalmente os EPC’s envolvem facilidades para os processos industriais colaborando no aumento de produtividade e minimizando os efeitos de perdas em função de melhorias nos ambientes de trabalho.
    Via de regra quando se pensa nos equipamentos de proteção coletiva vem à mente investimentos altos de retorno duvidoso. A bem da verdade, isso raramente ocorre, pois em se tratando de técnicas prevencionistas, as idéias que maior resultado apresentam são as que conciliam baixo custo e alta durabilidade às condições ideais de proteção. Outra verdade inquestionável é a de que os detentores do maior conhecimento de soluções ideais de proteção são os próprios trabalhadores que estão expostos aos riscos. Comprova-se isso facilmente, lembrando-se dos resultados colhidos com a criação dos grupos de qualidade.
    A melhoria das condições de trabalho dependem, e muito, do projeto do processo e, por isso, é mister que se realize uma análise prévia desses sistemas, antes de sua implantação por profissionais especializados em segurança do trabalho, para que os riscos ocupacionais sejam identificados e as medidas de proteção convenientes sejam adotadas antes da liberação do processo. Respeitados esses critérios, os investimentos em melhorias do processo são melhor otimizados, evitando-se o risco de paradas desnecessárias para correção de anomalias.
    As medidas de proteção coletiva, isto é, que beneficiam a todos os trabalhadores, indistintamente, devem ter prioridade, conforme determina a legislação que dispõe sobre Segurança e Medicina do Trabalho.
    Os EPC’s podem ser equipamentos simples, como corrimãos de escadas até sistemas sofisticados de detecção de gases dentro de uma planta química.
    Os dispositivos de segurança em máquinas, por exemplo, tem a finalidade principal de proteger a integridade física das pessoas, quer sejam operadores ou outros trabalhadores presentes nas áreas de processo. Essa é uma das maiores vantagens que o EPC possui frente a outros sistemas de proteção, pois além de proteger a coletividade, não provoca desconforto aos trabalhadores.
    Os equipamentos de proteção coletiva não prejudicam a eficiência do trabalho, quando adequadamente escolhidos e instalados. Os EPC’s para serem perfeitamente definidos e adequados devem respeitar algumas premissas básicas:
    Ser do tipo adequado em relação ao risco que irão neutralizar;
    Depender o menos possível da atuação do homem para atender suas finalidades;
    Ser resistentes às agressividades de impactos, corrosão, desgastes, etc., a que estiverem sujeitos;
    Permitir serviços e acessórios como limpeza, lubrificação e manutenção;
    Não criar outros tipos de riscos, principalmente mecânicos como obstrução de passagens, cantos vivos, etc.
    Os EPC's devem ser mantidos nas condições que os especialistas em segurança estabelecerem, devendo ser reparados sempre que apresentarem qualquer deficiência.Veja alguns exemplos de aplicação de EPC’s:
    • sistema de exaustãoque elimina gases, vapores ou poeiras do local de trabalho;
    • enclausuramento, isto é, fechamento de máquina barulhenta para limpeza do ambiente do ruído excessivo;
    • comando bi-manual, que mantém as mãos ocupadas, fora zona de perigo durante o ciclo de uma máquina;
    • cabo de segurança para conter equipamentos suspensos sujeitos a esforço caso venham a se desprender.

    8.Normas Regulamentadoras


    Com o advento da lei 6.514, de 22 dezembro de 1977, que alterou o Capítulo V do Título II da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), relativo aSegurança e Medicina do Trabalho, em sua Seção XV, Artigo 200, ficou determinado que "cabe ao Ministério do Trabalho estabelecer disposições complementares às normas de que trata este Capítulo, tendo em vista as peculiaridades de cada atividade ou setor de trabalho....", ratificando o que já havia sido explicitado no artigo 156, Seção I, alínea I, como sendo incumbência do órgão de âmbito nacional, que atualmente é a Secretaria de Segurança e Saúde de Trabalho - SSST, "estabelecer, nos limites de sua competência, normas sobre aplicação dos preceitos deste Capítulo, especialmente os referidos no artigo 200".
    Assim sendo em 08 de junho de 1978, o então Ministro do Trabalho, Arnaldo Prieto, aprova a Portaria 3.214, que cria vinte e oito Normas Regulamentadoras (NR), relativas a Segurança e Medicina do Trabalho, que dão o detalhamento de aplicabilidade dos artigos constantes na Lei 6.514, citadas anteriormente.
    Uma Norma Regulamentadora (NR) objetiva explicitar a implantação das determinações contidas nos artigos (de 154 a 201) do Capítulo V, Título II, sem ater-se, necessariamente, as questões técnicas existentes, porém mencionando-as, quando necessário, para que sirvam de balizamento às pessoas que procuram atender aos ditames legais.
    De acordo com o artigo 2° da Portaria 3.214, é de competência da Secretaria de Segurança e Saúde do Trabalho (SSST) "as alterações posteriores, decorrentes da experiência e necessidades...".
    Como uma NR regulamenta um ou mais artigos da CLT, no caso de aplicação de auto de infração, o Agente de Inspeção do Trabalho, no preenchimento do mesmo, irá referir-se ao artigo em questão, fundamentando seu procedimento. Independente, porém, dessa prática a NR-28 estabelece os valores de infração dos vários itens das NRs, permitindo-se, dessa forma, uma "autonomia" ou "independência" das NRs dos artigos daCLT.

    Piza, Fábio de Toledo, “Informações básicas sobre saúde e segurança no trabalho”. São Paulo: CIPA, 1997.
    http://portal.abs.org.br/estudos/conceitos-gerais-sobre-seguranca-no-trabalho.htm